professormarcolino
sábado, 29 de junho de 2013
CRÔNICA
FLOR DE MAIO, UM PRESENTE À FAMÍLIA AFRODESCENDENTE
Há exatamente um ano, eu estava descendo pela Rua José Bonifácio sentido USP – Avenida Comendador Maffei, e cruzei a Rua Padre Teixeira. Bem ali, na esquina, observei um prédio imponente de cor amarela, denominado Grêmio Recreativo Familiar Flor de Maio, em sua placa de identificação. Sem conhecer a história daquele local, logo conclui que se tratava de um clube fundado por negros.
A curiosidade me instigou a conhecê-lo melhor. E, logo, caiu em minhas mãos o diário oficial da prefeitura, de 18 de novembro de 2011.
A matéria ali escrita dizia que o prefeito anunciava o tombamento do Flor de Maio, o único clube social negro de São Carlos. Fiquei super contente porque não é qualquer cidade que se dá ao luxo de ter um clube para negros, raça que durante muitos anos foi motivo de exploração.
Li toda matéria! Fiquei sabendo que o clube, um dos primeiros a ser tombado no estado de São Paulo, pelo COMDEPHAASC, foi fundado em quatro de maio de 1928, mas sua pedra fundamental foi lançada em 15 de novembro de 1948, portanto há 64 anos no túnel do tempo.
Fiquei orgulhoso em saber que na década de 30 o clube, além de ser um espaço recreativo, criou uma escola de ensino primário que era frequentado, inclusive, pela população não afrodescendente. Ao terminar de ler a matéria eu guardei o jornal.
Neste mês novembro, o mês em que se comemora o dia da Consciência Negra, há exatamente um ano, passo pelo mesmo local e sinto a obrigação de me lembrar da história desta raça que chegou ao Brasil como máquina produtiva manipulada por meia dúzia de homens brancos, intitulados barões. O meu avô paterno era negro. O seu pai era um dos milhões que aqui chegou e que também foi explorado no trabalho, enriquecendo o barão. Tem mais! O negro, depois de tanto ser explorado, foi mais uma vez enganado. O senhor deu a ele uma carta, uma espécie de passaporte, e disse que, a partir daquele dia, ele seria livre.
Para se ter uma ideia havia no município de São Carlos 3726 escravos e desta quantidade foram distribuídos 2245 carta de alforrias…
Após estas informações chego a conclusão que nada mais justo dar uma parada na correria do dia-dia e refletir sobre a data consciência negra que se comemora em 20 de novembro. Afinal, a maioria do povo brasileiro, assim com eu, é afrodescendente. Mas a raiz é o negro e é a ele que devemos prestar a homenagem, assim como quero fazer ao meu avô, bisavô que não conheci e aos demais que os antecederam. Quanto ao clube Flor de Maio, este é o legado deixado a família Sãocarlense.
publicado no Jornal Turismo
21/11/2012
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